quinta-feira, 26 de março de 2015

Oque é um tarólogo?

O que um tarólogo faz afinal?
Como existe certa confusão e uma neblina de misticismo fora de lugar, é sempre bom explicar.
O tarólogo, em essência, lê as cartas de Tarô. E por “ler”, entenda que ele interpreta os simbolismos contidos nestas mesmas cartas, utilizando um jogo pré-determinado (chamado de tiragem ou spread), cujas posições vão revelar coisas distintas, como o que é favorável, desfavorável e o resultado, no caso de uma composição de 3 cartas, por exemplo. Tudo isso para responder a uma questão da pessoa que o procura.
Desse modo, pode-se comparar o tarólogo a um instrumentista. Alguém que tem domínio de uma ferramenta e que a usa para atingir determinado fim. Porém, se tratando de algo muito subjetivo, posto que os símbolos presentes nas cartas formam uma linguagem única, tal como as palavras escritas de determinada maneira compõem a língua de uma nação, compreender como alguém pode extrair tanta informação de um monte de figuras, pode soar estranho e até mesmo fantástico. Por isso, não é de se espantar que muitas pessoas pensem que seja necessário que o tarólogo tenha uma mediunidade aflorada, vendo ou ouvindo espíritos.
(É claro que existem tarólogos médiuns, mas essa não é a regra, pois qualquer pessoa que se predisponha a aprender, irá conseguir utilizar o Tarô e extrair dele os conselhos, diagnósticos e previsões que necessita).
E como funciona a consulta na prática?
Considerando que o Tarô é um baralho composto por 78 cartas – cada uma com seu conjunto simbólico e, portanto, com seus significados -, quando fazemos uma pergunta, escolhemos uma tiragem adequada, embaralhamos as cartas necessárias e as dispomos numa mesa, aquele conjunto irá formar uma espécie de mensagem com começo, meio e fim. Quem desconhece os significados irá apenas ver as figuras e pode até intuir a resposta, entretanto, quanto mais se conhece os símbolos, mais profundas são as respostas possíveis.
Assim, um tarólogo que não estuda, tenderá a ter interpretações mais superficiais que aquele que está sempre se reciclando. Então, tal como em qualquer outra profissão, o tarólogo também tem formação. No Brasil, existem inúmeros livros, seminários, encontros, cursos, nos quais os profissionais se encontram, trocam ideias, fazem pesquisas, assistem palestras. Tudo isso para que as leituras sejam acuradas e estejam de acordo com o que realmente saiu nas cartas e não com achismos ou mesmo opiniões do próprio tarólogo. Tanto é que muitas vezes o profissional pode achar que vai acontecer determinada coisa com o consulente e as cartas mostrarem um destino completamente oposto.
E precisa haver fé para consultar as cartas?
Não. O que sair nelas é o que sairia você acreditando ou não. De todo modo, será mais útil considerarmos os conselhos do que simplesmente nos fecharmos a novas possibilidades. Apesar disso, não se pode afirmar com certeza qual é o mecanismo por trás do jogo de Tarô, que faz com que as cartas certas saiam para retratar aquela pessoa específica que o questiona.
Os junguianos podem dizer que se trata do inconsciente coletivo, que conecta as mentes de todos nós. Outros falarão da questão energética, que faz o consulente (e até mesmo o tarólogo) puxar as cartas certas. Os espiritualistas dirão que são espíritos protetores que “sopram” qual é a carta a ser tirada. Os céticos talvez digam que é a probabilidade ou mero acaso, ou que a pessoa se auto-induz.
O fato é que, na prática, funciona e muitas pessoas são ajudadas e passam a ter mais consciência de suas ações, pensamentos e sentimentos. No fundo, fazer uma consulta de Tarô é fazer uma terapia ou, pelo menos, se reservar um momento para reflexão, mesmo que seja para decidir coisas corriqueiras, como fechar um contrato, viajar esta semana ou na próxima, vender um imóvel, etc.
Enfim, ler cartas não pode mais ser confundido com magia, superstição, engodo, brincadeira, misticismo, adivinhação ou amarrações. Por isso, repita comigo: tarólogo é quem interpreta os símbolos das cartas de Tarô para responder perguntas de seus consulentes. Simples assim.
Vanessa Mazza



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